Semaglutida e tirzepatida são associadas a diagnósticos de queda de cabelo em coorte
Uma análise retrospectiva de adultos com diabetes tipo 2 ou obesidade encontrou maiores chances de diagnósticos de alopecia não cicatricial entre usuários de semaglutida e tirzepatida. O estudo também observou IMC menor no acompanhamento entre quem recebeu diagnósticos capilares, mas não estabelece que os medicamentos causem a queda.
Radar automático · fontes identificadas · 26/08/2026
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Nonscarring Alopecia in Adults Treated With GLP-1s: A Propensity Score Matched TriNetX Cohort Study.
O SINAL OBSERVADO NOS REGISTROS
Em adultos com diabetes tipo 2 ou obesidade, o uso de semaglutida e tirzepatida foi associado a maiores chances de novos diagnósticos de alopecia não cicatricial — formas de queda de cabelo sem cicatrização. A associação apareceu nas análises dos grupos definidos pela indicação e pelo índice de massa corporal (IMC), e também nas comparações dessas duas terapias com outros agonistas do receptor de GLP-1.
O estudo examinou ainda o eflúvio telógeno, um diagnóstico relacionado à queda de fios. As chances foram maiores entre usuários de semaglutida nos acompanhamentos de três e cinco anos; para tirzepatida, a elevação foi observada em todos os períodos avaliados. O resumo não apresenta a magnitude das diferenças, portanto os resultados não permitem estimar quantas pessoas tiveram queda ou qual seria o risco individual.
COMO A COORTE FOI MONTADA
A investigação retrospectiva usou dados da plataforma TriNetX e incluiu adultos com atendimento estabelecido entre 2018 e 2025. Os usuários de GLP-1 foram agrupados conforme a indicação e comparados a não usuários por meio de pareamento por escore de propensão. Esse procedimento busca aproximar os grupos considerando características como dados demográficos, doenças coexistentes e uso de medicamentos associados à queda de cabelo.
Os pesquisadores procuraram novos diagnósticos de alopecia não cicatricial, eflúvio telógeno e alopecia areata. Para semaglutida, avaliaram os desfechos em um, três e cinco anos após o início do tratamento; para tirzepatida, em um, um ano e meio e dois anos. Também compararam os dois medicamentos com outros GLP-1 e analisaram o IMC no acompanhamento entre usuários com e sem diagnósticos capilares.
O QUE O IMC AJUDA A LEVANTAR
Um dado que orienta a interpretação foi o IMC mais baixo no acompanhamento entre usuários de GLP-1 que receberam diagnósticos de queda de cabelo, em comparação com usuários sem esses desfechos. Os autores apontam que o estresse fisiológico associado à perda de peso pode contribuir para a queda durante a terapia. O achado, porém, não demonstra que a redução do IMC tenha causado os diagnósticos nem esclarece a sequência dos acontecimentos.
A comparação com outros medicamentos da classe também mostrou maiores chances de “outra alopecia não cicatricial” para semaglutida e tirzepatida. Para eflúvio telógeno, a associação em relação a outros GLP-1 foi relatada com tirzepatida. Já a alopecia areata, incluída como controle negativo, não foi associada ao uso de GLP-1. Assim, o sinal descrito não apareceu em todos os tipos de queda examinados.
ASSOCIAÇÃO NÃO É PROVA DE CAUSA
Por ser uma análise observacional retrospectiva, o estudo identifica associações em registros de saúde, mas não comprova que semaglutida ou tirzepatida causem diretamente a queda de cabelo. O pareamento tenta reduzir diferenças conhecidas entre os grupos, mas não equivale à distribuição aleatória de um ensaio clínico e não elimina toda possibilidade de fatores não considerados influenciarem os resultados.
A relação entre IMC menor no acompanhamento e diagnósticos capilares é compatível com a hipótese de participação do estresse fisiológico ligado à perda de peso, mas não confirma esse mecanismo. O achado oferece um sinal para investigação adicional, não uma previsão individual nem evidência de que todas as pessoas em tratamento terão queda de cabelo.
EM TRÊS PONTOS
• Semaglutida e tirzepatida foram associadas a maiores chances de alopecia não cicatricial em adultos com diabetes tipo 2 ou obesidade. • O eflúvio telógeno teve associação com semaglutida nos acompanhamentos de três e cinco anos e com tirzepatida em todos os períodos avaliados. • O IMC no acompanhamento foi menor entre usuários com diagnósticos capilares, mas o estudo não prova que a perda de peso ou os medicamentos causem a queda.
O QUE AINDA PRECISA SER ESCLARECIDO
A análise retrospectiva baseada em registros permite identificar associações, não estabelecer causalidade. O resumo recebido não informa o número de participantes, a magnitude das diferenças nem as taxas absolutas dos diagnósticos, e não permite estimar risco individual ou confirmar o mecanismo sugerido.
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