Tirzepatida teve resposta discreta em um paciente; semaglutida veio depois com perda de peso maior
Um homem com obesidade e resistência à insulina perdeu menos de 5% do peso durante seis meses de tirzepatida, mas, após a troca para semaglutida, chegou a uma redução total de 20% em relação ao peso inicial. O caso ilustra a variabilidade individual — e não prova que um medicamento seja superior para todos.
Radar automático · fontes identificadas · 31/08/2026
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Tirzepatide non-response with subsequent semaglutide response in class 2 obesity.
UM RESULTADO QUE CONTRASTA COM A MÉDIA
A tirzepatida atua em dois receptores ligados à regulação metabólica: GIP e GLP-1. Em estudos clínicos citados pelos autores, a perda média de peso com o agonista duplo foi superior à observada com semaglutida, que atua seletivamente no receptor de GLP-1. Mas médias de grupo não descrevem necessariamente a resposta de cada pessoa. Um relato publicado no JCEM Case Reports apresenta um exemplo dessa diferença: um homem de 40 anos com obesidade classe 2 teve perda de peso discreta durante o tratamento com tirzepatida e uma resposta maior depois da mudança para semaglutida.
SEIS MESES COM TIRZEPATIDA: POUCA MUDANÇA E FOME PERSISTENTE
No início do acompanhamento, o paciente pesava 115 kg, tinha IMC de 39,8 kg/m² e circunferência abdominal de 120 cm. Também apresentava glicemia de jejum alterada, hemoglobina glicada de 5,8% e HOMA-IR de 5,0. Esse índice, calculado a partir de medidas de glicose e insulina, é usado para estimar resistência à insulina; no caso, estava acima do valor de referência informado no relato. Ao longo de seis meses, a dose de tirzepatida foi escalonada até 15 mg semanais, junto de orientação alimentar e acompanhamento de diários alimentares. O peso caiu 5,5 kg, ou 4,8% do valor inicial. A fome intensa persistiu, assim como alterações em medidas metabólicas. Já na avaliação após oito semanas, a redução era de 2,1%, dado que os autores consideram um sinal precoce de resposta insuficiente.
APÓS A TROCA, MUDANÇAS NO PESO E EM MARCADORES METABÓLICOS
Depois de duas semanas sem tirzepatida, o paciente iniciou semaglutida, com escalonamento de dose, mantendo a orientação alimentar e as recomendações de estilo de vida. Na fase seguinte, os registros alimentares apontaram redução espontânea da ingestão calórica, de cerca de 1.937 kcal prescritas para aproximadamente 1.650 kcal por dia. O relato descreve redução acentuada da fome nas primeiras semanas. Ao fim de seis meses com semaglutida, o peso era de 92 kg: uma redução total de 23 kg, ou 20% em relação aos 115 kg iniciais. A circunferência abdominal caiu para 98 cm. A glicemia de jejum passou de 110 para 88 mg/dL, a hemoglobina glicada de 5,8% para 5,2% e o HOMA-IR de 5,0 para 2,1. Também foram relatadas melhora nos triglicerídeos e no HDL. Houve náusea leve e transitória durante o aumento da dose, sem eventos adversos graves descritos.
HIPÓTESES SOBRE A DIFERENÇA — AINDA SEM CONFIRMAÇÃO
Os autores propõem que a resistência à insulina e a obesidade central poderiam estar relacionadas a uma menor atividade ou expressão do receptor de GIP no tecido adiposo. Também levantam a possibilidade de que a ação central do GLP-1 sobre circuitos cerebrais ligados ao apetite tenha contribuído para a resposta à semaglutida. Essas explicações são hipóteses: não foram feitas biópsias de tecido adiposo, medições dos hormônios incretínicos nem testes genéticos. O ponto clínico mais imediato do relato é outro: a resposta limitada a um fármaco não permite concluir, por si só, que a pessoa responderá da mesma forma a outro. O caso questiona a ideia de que um agonista duplo seja necessariamente a melhor opção para cada indivíduo, sem invalidar os resultados médios dos ensaios clínicos nem estabelecer critérios para escolher um tratamento.
EM TRÊS PONTOS
• O paciente perdeu 4,8% do peso inicial em seis meses de tirzepatida e 20% no total após a fase seguinte com semaglutida. • A fome persistente acompanhou a resposta limitada à tirzepatida; com semaglutida, o relato descreve redução do apetite e da ingestão alimentar. • O caso sugere variabilidade individual, mas não demonstra que a semaglutida seja superior à tirzepatida para outras pessoas.
O QUE AINDA PRECISA SER ESCLARECIDO
É um relato de um único paciente, incapaz de estabelecer frequência de resposta ou orientar, sozinho, a escolha de tratamento. Os mecanismos propostos não foram medidos diretamente. A sequência dos medicamentos e a redução espontânea da ingestão calórica durante a fase com semaglutida também dificultam atribuir toda a diferença observada a um único fator.
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